Mostrou todos os dentes possíveis e impossíveis num sorriso largo e demorado, os olhos abertos, sem piscar, girava a cabeça para todos que a olhavam em retorno, com nojo.

Sorriu com mais força. Manteve o sorriso por tanto tempo que vinhas começaram a sair pelos dentes e a se espalhar pelo vagão, que ficava a cada momento mais verde e úmido. As vinhas continham espinhos. As pessoas do vagão começavam a sangrar uma por uma. Recusava-se a desfazer o sorriso, os espinhos perfuravam pernas, arranhavam cinturas, rasgavam mochilas. O vermelho se misturava com o verde e cada vez mais ouvia gritos de terror e dor. O sorriso apenas aumentava. Aumentou tanto que um tronco passou direto pelos seus dentes, vindo da sua garganta. Era uma arvore gigante que esmagou a todos naquele vagão. Seu corpo virou uma raíz e pétalas de flores cobriram os corpos, todos mortos. Sozinha, no canto, chorou.