Levantou. Olhou no espelho e algo saía do seu ouvido, parecia purê de maçã. Começou a limpar desesperadamente, mas continuava saindo sem parar. Começou a sair do outro ouvido, do nariz e de repente não conseguia mais enxergar, saía pelos olhos. Começou a correr desesperada, trombando em tudo, pedindo socorro. Seu vizinho apareceu na janela, viu a cena e, com nojo, fechou a janela. Ela se arrastava pela rua.
Nas janelas de outras casa vizinhos filmavam a cena e compartilhavam nas redes. Não entendia sua condição. Usava camisinha... Pensou. Era uma boa cidadã, não tinha feito nada de errado e agora estava soltando um pus por todo o corpo.
Ela se arrastava pela rua, as pessoas fugiam dela, mas ainda sim chegou ao hospital. O médico olhou, olhou e olhou. Com nojo. Disse "eu não posso lhe ajudar."
Frustada, saiu do hospital, deitou no meio da rua, encharcando-a de pus.
Por um momento estava sozinha, pensou que aquilo não iria parar tão cedo. Deixou de pensar na causa, deixou de pensar no futuro, deixou de pensar nas pessoas em volta. Sua cabeça, de repente, parecia vazia. Levantou, foi pro bar da esquina, pegou uma mesa em um canto e escreveu este relato.
Sinto agora que entendo a causa, vejo o núcleo. Escrevo "e então ela escreveu como alguém que aperta o núcleo de um furunculo e explode pus em todas as direções. Estava feito, a rua era um grande rio de purê de maçã. Esvaziou tudo." Aliviada, bebo um gole da minha cerveja, fecho o caderno.