Estava caminhando, não sabia quanto tempo, qual a distância ou onde estava. Apenas sabia que estava andando. Passou por bairros, cruzou cidades, estados e continuou andando. Em São Paulo era Sonia, chegando em Osasco era Paulo, chegando em Minas era Eni. Na Bahia ja tinha abdicado de nomes.

— Como você se chama?

— Sim.

Continuou andando, passou pro Amapá, era um Lobo. Cruzou pra Guiana como um pudim, difícil foi escapar das crianças loucas por um doce, refrescou uma turma sendo uma cachoeira na Venezuela. No Panamá foi uma chave de roda para trocar o pneu de uma caminhonete que levava mangas, se tornou uma delas ao cruzar para a Costa Rica, onde fez o dia de uma criança. Como um caroço rolou até a Nicaragua, virou um megafone em um protesto.

Foi um dildo em Honduras, uma xícara de café na Guatemala, uma carta de tarot no Belize. Fez sombra como um guarda-sol para uma senhora no México. Continuou andando, subiu até Washington, explodiu a cabeça de um presidente como uma bala.

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